TRANSPARÊNCIA

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O PORTO DO PECÉM E O LITORAL DO ESTADO DO CEARÁ

Vanda Claudino Sales

   O Porto do Pecém foi construído pelo Governo do Ceará em parceria com o Governo Federal ao final dos anos 1990. Durante a construção, a obra produziu intensa erosão de praias, destuindo duas fileiras de casas na Vila do Pecém, adjecente ao porto.  O pier portuário, do tipo vazado, instalado tranversalmente à linha de costa, foi idealizado para permitir a passagem das areias que circulam no litoral, e assim evitar a destruição avassaladora que resultou da construção do Porto do Mucuripe e obras associadas no litoral de Fortaleza e Caucaia.

    Efetivamente, após alguns anos, e com a retirada de um espigão, a erosão cessou, e o processo reverteu-se: há agora intensa acumulação de areias no entorno do pier, produzindo inclusive significativa engorda de praia na Vila do Pecém,  da ordem de quase 90 m na última década. Pois o pier, embora vazado, barra parcela das areias em movimento ao longo do litoral e diminui a velocidade das correntes litorâneas, que assim apresentam menor capacidade de transporte de sedimentos. Dessa forma, as praias estão passando por acresção no entorno do porto.

    O quadro descrito parece ser positivo, quando comparado com a situação do litoral Fortaleza. No entanto, as alterações impostas ao meio ambiente são inquietantes.

 

   Com efeito, as casas do front litorâneo da Vila do Pecém começam a sofrer invasão de areias oriundas da praia adjacente, que se encontra em permanente processo de expansão. Em função do excesso de areia agora existente, há também a tendência à formação de dunas em locais urbanizados, o que tende a produzir danos ao patrimônio público e privado, além de males à saúde pública. Em adição, uma outra situação se desenvolve a oeste do porto: as areias que estão ficando retidas no entorno do pier deixaram de ser transportadas e não alimentam mais grande trecho da Praia da Taíba, situada a sotamar do Pecém. Esses trechos se encontram agora em pleno processo de erosão, apresentando perdas de até 35 m de praia na última década.

   Na verdade, o Complexo Portuário do Pecém não parece, sob nenhuma ótica, um bom investimento para a área ambiental. Destruiu o campo de dunas e agora altera a dinâmica litorânea, além de devorar milhões de litros de água em plena aguda crise hídrica e aprofundar o drama do aquecimento global, com suas termelétricas. Para que serve, afinal, esse tipo de investimento, senão para garantir o questionável “status quo”?

Vanda de Claudino Sales vcs@ufc.br

Vanda de Claudino-Sales é geógrafa pela Universidade de Brasília, mestra em Geografia Física pela Universidade de São Paulo, doutora em Geografia Ambiental pela Universidade Sorbonne e pós-doutora em Geomorfologia Costeira pela Universidade da Flórida. É professora aposentada do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Ceará e Professora Visitante do Mestrado em Geografia da Universidade Estadual Vale do Acaraú

 

 

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